O Acampamento nas montanhas

Estamos no mês de abril. Nesse final de semana fui com amigos fazer um acampamento nas montanhas, onde as barracas  ficavam bem próximas ao desfiladeiro. Porém, a vista que tínhamos ao acordar compensava qualquer medo criado pela mente. A experiência foi muito especial. Enquanto a maioria estava sentada em frente a grande fogueira, minha alma viajava naquela imensidão de estrelas sobre nós. Nos acolhemos em um cobertor, servidos de um café quentinho, ouvindo o violeiro tocando suas canções. Entre conversas banais, um suspiro profundo buscando o silêncio das estrelas em meio aquela escuridão da noite, repleta de brumas e sombras das árvores. Início da madrugada o clima trouxe um vento gelado típico de inverno, fazendo nos recolher em nossas barracas. Admito que tentei dormir mas, a energia daquelas estrelas que eu observava pela tela me causou insônia. Imaginei por um instante estar vivendo sonhos. Coloquei os fones de ouvido com minhas playlist de músicas de rock antigas. Relembrei da densidade que estamos vivendo nessa dimensão e soltei um suspiro de saudade de casa. Questionei por que o divino masculino não consegue se conectar na mesma frequência de expansão da consciência que tenho, se ele é como parte divina de mim mesma?

Aquela era uma pergunta sem resposta. Não existia uma resposta para essa pergunta ou eu não saberia entender a complexidade. Outra questão que me assombrou durante a madrugada, foi como voltar a viver o raso quando sua própria essência não cabe mais no superficial?

Ouvi um sussurro vindo do coração:

Trilhe a vida e o caminho aparecerá..

Sua nova versão chegará quando estiver seguindo..

Era hora de abandonar o velho e fluir novamente. Era chegada a hora de encontrar minha matilha e deixar de ser a loba solitária na prisão da própria floresta mental.  Chegou a hora de mudar hábitos, ambientes, pessoas, crenças e visões de um mundo distorcido. Hora de criar e parir a mim mesma. 

Uma sacerdotisa não pede opinião, nem licença por que ela simplesmente é. 

Ela não depende dos outros para ser quem ela é de verdade. Sendo que a intuição e o poder da verdade do seu coração estejam guiando sua jornada, nada mais importa. A deusa que habita dentro de si é auto-suficiente para amar a si mesma antes de amar ao mundo.

Chegou o inverno. A minha anciã convida a entrar na caverna. Segui meus instintos e recolhi minha energia. O cansaço dominou minha alma por algum tempo. Às vezes sinto-me uma folha ao vento. Sem saber para onde o destino esta me levando. Tenho focado somente nos sonhos e planos que deixei passar para seguir um caminho que no fundo pouquíssimas pessoas compreendem, pois o que toca a alma nem sempre é o caminho fácil. Ele exige coragem de viver plenamente. Hoje sei que a densidade do ego desse mundo corrói a alma de algumas pessoas e preciso aceitar que cada um tem seus carmas. 

E é isso. Aceitação é a palavra.

Acho que o inverno que chegou diminuindo a temperatura externa também diminuiu minha energia interna. 

Escrever para que? 

Se tudo parece somente uma ilusão que só se sustenta em outro plano.

Sentada em uma cafeteria da cidade em frente as faíscas de uma lareira acesa durante uma tarde nublada de intenso frio, minha mente parece acompanhar esse humor de nuvens no céu. As vezes parece que estou só cumprindo um roteiro de corpo sentindo a alma vagar em outro lugar. 

O que aconteceu comigo?

Dizem que depois que chegamos aos 40 anos não temos mais paciência com nada. Estou concordando literalmente com essa percepção. O que mais me assusta nessa modernidade toda é que as pessoas estão vivendo em universos que parecem blocos de cimentos de tanta individualidade. 

Os relacionamentos realmente se tornaram líquidos como um grande autor de filosofia estóica já havia relatado. Será que somos a última geração de seres realmente humanos? A tecnologia esta tomando todo o tempo e energia das pessoas. E na verdade já nem sei mais porque diabos eu estou ainda escrevendo se essa nova geração não sente mais prazer em ler um simples livro, apreciar o aroma das folhas envelhecidas que embriagam os olhos. Meu cansaço é extremamente surreal. Apenas um desabafo!! 

Boa noite ✨🌙




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